Quando nos deparamos com questões que nos fomenta a ânsia de criar, imaginamos de que forma representar a força da nossa criação, trabalhamos o verbo, agitamos a prática e descobrimos os passos de sustentação de uma idéia que por fim se concretizará, ou fundamentalmente virá a ser objeto de estudo para futuras criações. Idéia, Desenho, Concretização. Ao desenvolver uma idéia, nos estabilizamos obviamente em nossas bases teóricas e práticas de vida: cultura, atualidade, contextualização. Em cima disto, buscamos aprimorar nosso conhecimento através da pesquisa e da constante tentativa de compilação de informações. De certo modo, não existem meios exteriores capazes de usurpar nossos princípios e essência. O que quero transmitir? O que pretendo incentivar? Por que tive este intuito? As técnicas de representação são imprescindíveis no nosso meio de conquista. Tenho uma forma, no entanto, sem forma; vivencio, sinto, inverto papéis, Criador e Criatura, Usuário e observador. Já dizia William antes mesmo de ter a sua Julieta: 'Acomoda a palavra ao gesto e o gesto à palavra'. O fato é que ele ponderava sobre a arte da dramaturgia, todavia, Arquitetura não seria um meio dramático? Fazendo esta observação, me reservo ao direito de justificar, se certos exageros teatrais nos causam enfado, o que dizer de monumentais emaranhados de aço, concreto e vidro que gritam para o tudo e para o nada. Enfado não resume tais exorbitâncias, que nem estão necessariamente rumando aos céus, há lugares em que estão regozijando àqueles que chegam e que saem das fronteiras... Uma forma que fala por si, sabe transmitir toda sua alegoria intimista, seja em rebuscadas linearidades simétricas ou em puras e limpas barroquices. Concretizar, executar e dar vida ao papel. Certa feita soou em meus ouvidos a frase: Sua idéia não executada não serve de nada! Mentira. A trupe utópica não me deixa mentir Proudhon, Sitte, Garnier, Verne e todos os outros... Prova de que se o estudo é vigoroso, instiga primor, questiona, coloca em crise, proporciona novas teses e incrivelmente idiotiza quem merece, automaticamente está aceito. [Tayleran Vigânigo Brandão]